Maria
Açoita, Maria, o breu, a escuridão
para afugentar os olhos tristes e desafogar tuas íris
do mundo silencioso, por cima do barulho
Açoita para sempre, Maria, com coragem
Como se toda luz está em ti
Ao açoitar consciente, entoa esperança
Ó, mulher almada, sem tua resiliência
Choram todos, sozinhos, com olhos lavados
Preenche as vidas marias, preenche
Com cantos e sonhos de alegria
Veja em volta, Maria, a força do teu impulso
acendendo luzes, camuflando dores
De tanto querer dos sonhos, fez-se novas flores
Filho teu brotasse, vidas possíveis
Pelo relutar de corações esquecidos e esfriados
Dores de desigualdade, olhos de insensibilidade
Vê ao lado, Maria, es tu que renovaste
Teu amor tiveste, Maria, e tão valente
ganhaste vida, salvaste sonhos
Es humana, suprema e verídica
lutaste em prantos, com coração nasceste
das muitas marias, que lamentam e tristes
Representas o canto de vidas possíveis
Nunca mais Maria alguma, grande mulher
seus olhos desaguarão antes da luta
Sua força é viva e não há morte
Como não morre a história que conta o amor
Cantem, Marias, o canto da vida
É lindo, é vida, são mulheres
Açoita, Maria, açoita o grito da esperança
para afugentar a fúria e a destemperança
e encher o mundo de luz, e para sempre
como se fosse um mundo só de Marias
Márcia Seven
Enviado por Márcia Seven em 15/02/2025